Por que gostamos de viver no limite? Por que é tão difícil fazermos algumas coisas ou não fazermos outras? Por que insistimos em nos empanturrar de comidas prontas, congeladas, beber pouca água ou não fazer exercícios físicos quando sabemos que estes hábitos podem ser prejudiciais a nossa saúde?
Quando você começa a se exercitar regularmente é inevitável não se preocupar com seu corpo, com o que você ingere, a quantidade, a qualidade. Mas mesmo assim, por que nosso corpo e cabeça lutam contra isso?
Paulo em sua carta aos Romanos no capitulo 7, verso 15 fala "o que faço, não o entendo; porque o que quero, isso não pratico; mas o que aborreço, isso faço." E eu não sou excessão a regra. O motivo que me fez iniciar a pratica regular de exercícios físicos foi um exame de rotina que detectou alto triglicerídeos seguido da intimação de minha médica: "Quero que você coma três tipos de frutas por dia, pratique exercícios no mínimo 3 vezes por semana e não coma açucar".
Eu tinha acabado de voltar de lua-de-mel. Tinha comido diversas coisas gostosas, celebrando o fim do estresse de 1 ano organizando meu casamento. Estava também com o hábito de comer todos os dias, de sobremesa no almoço, 2 pingos de ouro - um docinho de leite crocante por fora e cremoso por dentro irresistível - além de chocolate no fim da tarde. Enfim, estava relaxada quanto a minha alimentação.
Saí do consultório decidida a cortar o açúcar, principalmente o chocolate. Foi aí que tive uma revelação: eu era uma chocólatra! Estava completamente viciada. A primeira semana sem chocolate foi terrível, assim como a segunda, terceira... demorou pra limpar meu organismo do vício do chocolate. Minha língua pedia por chocolate! Foi bem estressante esta fase. Até hoje tenho recaídas, principalmente no famoso período de TPM, mas a vontade ou a necessidade de ingerir açúcar na forma de chocolate diariamente já não é tão frequente. E quando esta vontade vem, consigo na maioria das vezes racionalizar este desejo e não me render a tentação, e isso é uma vitória!
Mas será que nós ser humanos, precisamos esperar que algo aconteça, algo ruim, pra que tenhamos um motivo pra cuidar do nosso corpo? E quando é tarde demais? Por que prevenir é tão mais díficil do que remediar? Há alguns meses atrás li o livro Borboletas da Alma do médico Dráuzio Varella e teve um capítulo sobre estilo de vida - pagina 136 - que realmente falou comigo. Gostaria de reproduzir aqui os 3 primeiros parágrafos:
"É inacreditável a resistência do ser humano ao sofrimento físico. Em mais de trinta anos de medicina, vi doentes enfrentar cirurgias mutiladoras seguidas de períodos pós-operatórios que exigem semanas de internação; submeter-se a tratamentos agressivos com medicamentos que abrem feridas na boca e provocam vômitos incoercíveis; resistir a dores lancinantes durante meses e, ainda assim, lutar para preservar a vida até sentir exaurido o último resquício de suas forças.
O heroísmo com o qual defendemos nossa existência quando ameaçada, no entanto, contrasta com a incapacidade de mudarmos estilos de vida que conduzirão a doenças gravíssimas no futuro. Não me refiro apenas a mudanças radicais como largar de beber, deixar de fumar ou de ter relações sexuais desprotegidas, mas especialmente aos comportamentos rotineiros: comer um pouco mais do que o suficiente, passar o dia sentado, esquecer de tomar medicamentos necessários e de fazer exames médicos.
Nas grandes cidades, não faltam explicações para nossa irresponsabilidade na prevenção das enfermidades que afligem o homem moderno - doenças cardiovasculares, câncer, diabetes, hipertensão, reumatismo, osteoporose e outras patologias degenerativas. "Saio cedo, perco horas no trânsito e volto tarde, morto de fome, como vou fazer para levar uma vida saudável?" - é a desculpa que damos a nós mesmos para justificar o descaso com um bem que a natureza nos ofertou sem termos feito qualquer esforço pessoal para merecê-lo: o corpo humano."
A música do Aerosmith termina dizendo:

Vivendo no limite
Você não pode evitar a sua própria queda
Você não pode fazer nada
Vivendo no limite...
Será que não podemos mesmo?
Eu posso.
E você?
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